Muita gente recorre ao formol às vezes até de maneira ilegal em busca de um cabelo liso. Porém, seu uso pode trazer sérias consequêcias à saúde e não é só na cabeça.

 

1. Estrutura do fio

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O cabelo é dividido em três partes: a cutícula, mais externa, é irregular, com pedaços que se sobrepõem; o córtex, feito de queratina, responde pelo formato das madeixas; a medula, a porção central, não tem uma função conhecida.

 

2. Tipos de cabelo pela genética

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Mongoloide
É o cabelo 100% liso, comum nos asiáticos. Por motivos óbvios, não precisa de alisamento.

Caucasoide
Fica num caminho intermediário, apresentando algumas ondulações. Costuma brotar na cabeça dos europeus.

Negroide
Típico de afrodescendentes, são os fios mais crespos, totalmente enrolados.

 

 3. Pontes de Hidrogênio

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O uso de temperaturas altas, por meio de aparelhos como as pranchas e as chapinhas, destrói as pontes de hidrogênio, estruturas que ficam no córtex e definem o caimento do fio. Esse procedimento não é muito indicado, pois queima as camadas externas.

4. Pontes de Salinas

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É natural que, ao tomar banho ou molhar a cabeça, o cabelo fique mais liso. Isso acontece porque o H2O desorganiza as chamadas pontes salinas, também no córtex. Basta as madeixas secarem para que tudo volte aos seus parâmetros usuais.

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Sua fórmula é simples: hidrogênio, carbono e oxigênio. Ele é empregado nas mais diferentes situações. Uma das aplicações mais conhecidas é a conservação de corpos para fins científicos, como os utilizados nas aulas de anatomia. Inclusive, seu poder alisante surgiu nesse contexto. Técnicos de laboratório observaram que os cadáveres ficavam com os pelos lisinhos quando eram embebidos em formol. Daí, para a descoberta atravessar os muros das universidades e chegar aos salões de beleza foi um pulo. Só que o formol traz danos irreversíveis à saúde, inclusive a dos fios.

5. Efeitos da Amônia e Formol

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Substâncias como a amônia, presente nos produtos de beleza, abrem as cutículas, deixando o caminho livre para o formol chegar ao córtex.

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Nessa camada do meio, o formol ataca as pontes de dissulfeto, que dão forma ao cabelo. Esse quebra-quebra é que faz o alisamento.

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As cutículas são impermeabilizadas. Então, nenhum outro agente consegue entrar fácil no fio, que fica desidratado e bem quebradiço.

7. Problemas durante a aplicação

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O uso das chapinhas no alisamento transforma o formol em vapor. Seus efeitos deletérios, então, se espalham pelo corpo.

Os globos oculares são as primeiras estruturas atingidas pelo gás. A parte branca fica irritada e vermelha – os vasos sanguíneos da região se dilatam. Na tentativa de conter a ardência, começa uma produção maior de lágrimas. Em casos extremos, o olho pode sofrer uma conjuntivite química.

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As vias respiratórias são o principal ponto de acesso do formol ao resto do organismo. Sua ação já começa na mucosa do nariz: o produto químico atinge certas glândulas responsáveis pela produção de muco. O resultado disso é a secreção de um catarro líquido. As paredes nasais também ficam inflamadas.

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Seguindo sua viagem pelo corpo, o formol acerta em cheio a traqueia e a faringe. Ambas sofrem algumas lesões pela interação do vapor com as mucosas locais. Ainda é comum o aparecimento de uma tosse bem forte. Ela é uma tentativa desesperada de empurrar o gás para fora das vias aéreas.

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Ao entrar em contato com a epiderme, seja no couro cabeludo, seja em outras partes do corpo, acontece um processo parecido com a mumificação: a água presente nas células é expulsa e abre alas para o formol. A célula morre, mas conserva as mesmas características de quando estava viva – esse, aliás, é o mesmo princípio da conservação dos cadáveres. O resultado disso é o surgimento de alergias, coceiras e até queimaduras.

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Os mais afetados são os cabeleireiros, que inalam o formol várias vezes ao dia. O desdobramento mais grave vai ser uma pneumonia química, que afeta os alvéolos, estruturas dos pulmões onde acontecem as trocas respiratórias. Em pessoas que já têm asma, pode ser desencadeada uma crise de falta de ar.

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O formol é reconhecido como um agente potencialmente cancerígeno. Isso porque ele é capaz de provocar alterações no DNA de algumas células, induzindo o crescimento de tumores em diversos locais, como pele, pulmão, boca, garganta…

Fontes: Valcinir Bedin, dermatologista, presidente da Sociedade Brasileira do Cabelo; Francisco Le Voci, coordenador do departamento de cabelo e unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia; Luciano Barsanti, médico tricologista, diretor do Instituto do Cabelo, em São Paulo; Marcelo Garcia, gerente-geral substituto de cosméticos e especialista em regulação e vigilância sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária; Ulisses Ribeiro, otorrinolaringologista do Hospital e Maternidade São Luiz, unidade Jabaquara, em São Paulo; Pedro José Monteiro Cardoso, oftalmologista e diretor clínico da oftalmologia do Hospital Cema, em São Paulo; Marcelo Alcântara Holanda, pneumologista e diretor da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.